Robert Plant: Os 70 anos do Leão do Rock

por José Malta,    20 Agosto, 2018
Robert Plant: Os 70 anos do Leão do Rock

No que diz respeito ao infindável universo da música rock, os Led Zeppelin são sem dúvida uma das bandas mais icónicas de sempre, com um reportório absolutamente contagiante capaz de mover toda uma geração e inspirar tantos outros intérpretes musicais. Se hoje um especialista em música rock ou em história da música quiser fazer uma publicação, seja ela em livro ou em artigo, sobre a história do rock terá, obrigatoriamente, de incluir os Led Zeppelin como uma das maiores bandas de sempre. Daqui por cem anos, se outro especialista na mesma área o quiser fazer, terá certamente que os incluir de novo, pois trata-se de uma banda que teve um sucesso tremendo durante os anos 70 do século passado, deixando um vasto legado musical que é ainda hoje fonte de inspiração para tantas outras bandas e intérpretes do rock.

O sucesso dos Led Zeppelin foi de facto tremendo desde o primeiro ao último álbum, e continua ainda a sê-lo pois, apesar de se ter extinguido precocemente devido ao desaparecimento do baterista John Bonham em 1980, os seus álbuns ainda são vendidos, e assim continuarão. Quando uma banda deste calibre alcança triunfos invejáveis, deve-se essencialmente ao talento e ao esforço hercúleo dos músicos que a compõem. E os Led Zeppelin foram isso mesmo, um conjunto de quatro membros que davam tudo nos estúdios e nos palcos para que o sucesso fosse cada vez maior. Não podemos falar daquilo que foram (e sempre serão) os Led Zeppelin sem falar na energia da percussão de John Bonham – um dos maiores bateristas do seu tempo – ou do baixo de John Paul Jones, que se tornara um dos melhores baixistas e também um dos mais conceituados músicos de uma era, ou ainda dos míticos solos produzidos pelo dedilhar mágico de Jimmy Page, a quem muitos atribuem grande parte do sucesso dos Led Zeppelin.

Contudo, é impossível não esquecer aquela que foi a voz que conferiu alma à banda que ganhou asas para atingir patamares inalcançáveis. Sem Robert Plant, o vocalista que tinha como principal característica física um enorme cabelo louro encaracolado e que actuava com a energia e a garra de um leão rugidor, o sucesso dos Led Zeppelin não teria sido o mesmo, certamente. Actualmente leva uma carreira a solo, aventurando-se por outras vertentes musicais, mas sempre que pode, aceita os convites para reuniões com os restantes membros da banda. Valerá a pena, 70 anos após o seu nascimento, recordar aquela que é uma das vozes mais icónicas da música rock.

Led Zeppelin (Jimmy Page, John Bonham, John Paul Jones, Robert Plant) em 1969. Fotografia de Chris Walter

Em 1948, nascia na cidade de West Bromwich, em Inglaterra, no seio de uma típica família inglesa da classe média. Aos 16 anos, sentindo-se bastante atraído pelo blues norte-americano, começou a cantar em bares, exibindo já alguma das qualidades vocais que lhe começavam a conferir uma identidade enquanto cantor. Como tal, chegou a saltitar de banda em banda como vocalista, antes de envergar por uma curta carreira a solo, ao longo da qual chegou a gravar dois compactos entre 1966 e 1967. Entretanto, tornar-se-ia o elemento principal dos Band of Joy, a sua primeira banda profissional, na qual John Bonham era o baterista. Porém, no ano seguinte, em 1968, a ilustre banda Yardbirds – da qual Jimmy Page era guitarrista (e que contava com dois outros guitarristas de renome, Eric Clapton e Jeff Beck) – tinha acabado de se desintegrar e cada membro seguiria caminhos distintos. A ambição de Jimmy Page era a de formar uma enorme banda de rock e, contando com Robert Plant e John Bonham, assim como com o baixista John Paul Jones, atingiu esse objectivo.

A banda formou-se em 1968 e, logo no ano seguinte, lançava o seu primeiro álbum, que seria a grande projecção dos elementos da banda; onde a energia de Robert Plant em palco, bem como a virtuosidade dos restantes membros tomavam conta da atenção do público. As suas vocalizações e o modo como interpretava as canções fizeram com que fosse considerado de imediato uma das grandes promessas musicais da época. Contudo, a verdadeira influência de Robert Plant na banda surgiu apenas um pouco mais tarde, pois apenas começou a escrever canções e a dar o seu contributo enquanto compositor a partir do segundo álbum, de modo a dar mais ênfase à sua presença enquanto membro da banda. Os álbuns seguintes contariam com uma maior presença de Plant nas letras e nas composições, dando mais vivacidade aos Led Zeppelin, uma das bandas do momento. As letras das canções “Whole Lotta Love”, “Black Dog”, “Good Times Bad Times”, “Heartbreaker”, “Immigrant Song”, “Since I’ve Been Loving You”, e ainda a lendária “Stairway to Heaven” tiveram um maior contributo seu do que as iniciais, havendo uma maior emancipação da elaboração do conteúdo lírico pelo duo Plant–Page.

O sucesso dos Led Zeppelin, que começara com as enormíssimas qualidades musicais dos membros da banda, começa a passar pelas letras e pelo modo como eram interpretadas, sendo esta a vertente que deu um toque de magia aos álbuns e concertos que marcaram aqueles que presenciaram o sucesso de novos intérpretes durante toda a década de 70. O fim da banda, pouco tempo depois da overdose de álcool que vitimou John Bonham, marcaria também o fim de uma era do rock altamente produtiva e rentável. Porém, os restantes membros seguiriam os seus caminhos, tentando sair um pouco da sombra dos gloriosos anos sob a luz intensa dos holofotes, ganhando outra atenção para além daquela de se ser um “ex-membro dos Led Zeppelin”.

Robert Plant a actuar em 1975. Fotografia de Bob Gruen

As capacidades artísticas e vocais de Robert Plant dariam tudo para que prosseguisse por uma carreira a solo bastante independente e com um sucesso característico. Ao aventurar-se por outros estilos musicais, adaptando a sua voz a outras correntes como o folk, o country e os blues, lançando até ao momento quinze álbuns a solo – alguns com os Band of Joy, banda que conseguiu revitalizar novamente, outros com a parceria do seu colega Jimmy Page e, mais recentemente, com os Sensational Space Shifters, que têm acompanhado o seu percurso musical actual. Ganhou vários prémios musicais de renome, nomeadamente em diversas categorias dos Grammy Awards, que lhe conferiram uma imponência no reino musical do rock. A prova da sua vivacidade foi testemunhada recentemente em Portugal no primeiro dia da edição de 2016 do NOS Alive, com um concerto em que exibiu o seu reportório e também o conteúdo musical que o ligará eternamente aos Led Zeppelin, resultando num espetáculo que contou com um público receptivo e um Robert Plant no seu estilo caloroso, enérgico e bem-humorado.

Robert Plant é assim hoje visto como um exemplo de que o espírito musical do rock primordial ainda está bem vivo e consegue ser inovador, adaptando-se a novas correntes musicais, mantendo a mesma energia de sempre. Aos 70 anos, a presença do artista nos palcos continua a ser enérgica através do seu rugido musical, como se de um verdadeiro leão se tratasse, que inspirou outros tantos outros leões do rock nas décadas seguintes. Actualmente ainda no activo e bastante motivado com a tour do seu mais recente trabalho, Carry Fire, lançado em Outubro de 2017 e com apreciação muito positiva por parte da crítica, esta é mais uma prova de que para se ser um Leão do Rock não é necessário ter uma condição de “Rei” conferida ou um estatuto de “lenda do rock” que o torna quase imortal. Serão sempre necessárias a energia e a capacidade de reinventar o rock, que eternizam a sua presença neste estilo musical, estilo que certamente não seria hoje o que é sem o rugido, a presença musical e a energia que só verdadeiros intérpretes como Robert Plant possuem.

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