Os putos não sabem fazer cruzes?

por Rodrigo Coutinho,    22 Setembro, 2021
Os putos não sabem fazer cruzes?
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Estudante de Ciências da Comunicação, Youtuber, Podcaster e procrastinador nato. Mais conhecido por By Coutinho no Youtube onde cria vídeos semanais sobre a atualidade ou temas aleatórios, sempre com base no humor.

Com a aproximação das autárquicas, já no próximo dia 26 de Setembro, perguntei a um amigo próximo em quem ia votar. Esta pergunta, tabu para gerações mais velhas, mas algo banal entre jovens. Perguntar em quem se vai votar, é como perguntar quanto cai na conta ao fim do mês, se for pouco, há vergonha, se for muito há vergonha também, se estiver no meio não há problema. Na política é a mesma coisa, se for num dos partidos de extrema, seja ela direita ou esquerda há receio em contar, se for no meio, não há problema. É como se no meio estivesse a virtude.

Esse meu amigo, disse-me que não ia votar devido à permanência no seu corpo de um pecado capital, a preguiça. Não fiquei admirado, uma coisa é esperar numa fila 3 horas para comprar o novo Iphone, outra é esperar 30 minutos para fazer uma cruz num papel, que pode eventualmente melhorar a qualidade de toda a gente que vive naquela zona. Espero que pelo menos ganhe uma nova câmara, o Iphone claro.

Mas claro que, o meu amigo é só uma representação de um metro e meio, de toda uma geração desinteressada pelo mundo político e…. podemos culpá-los? Talvez seja necessário os partidos apostarem em novas formas de chegar aos jovens, eu pensei em algumas ideias. Gostava de ver o presidente do PSD, o Rui Rio, a fazer um challenge no TikTok, não só ganhava a minha confiança, como passava aquela imagem de avô moderno. Pensei também, que o Nuno Graciano, candidato pelo Chega à Câmara de Lisboa, podia organizar um torneio de Fortnite mas, não sei até que ponto não é um jogo muito violento para ele. Outra ideia, seria repetir o que foi feito para a vacinação dos mais jovens em Loures, ter um DJ de serviço para animar o ambiente. As urnas deixam de ser aquele local chato e silencioso, e passa a ser um palco com artistas nacionais e bar aberto, as pulseiras só são cedidas depois do voto, acho também que seria inconsequente deixar o futuro do país nas mãos de jovens alcoólicos.

Há várias razões que explicam este afastamento dos jovens às urnas, o distanciamento dos partidos, o desinteresse pela política, a falta de representatividade, o facto dos jogos online não permitirem meter pausa. Nos anos 80 e 90 a afluência era completamente diferente, votar era algo novo, depois de 40 anos afastados desse direito/dever, as pessoas davam valor ao voto e faziam dele uma arma de afirmação. Agora, passou para uma grande quantidade de jovens a ser uma banalidade. Só nos lembramos uma vez por ano o quão bonitos são os cravos e é, quando esse feriado não calha ao fim-de-semana. 

Se os partidos não mudam de estratégias para chegar aos jovens, se as escolas não investem em disciplinas que nos ensinem algumas bases políticas, então temos de ser nós a ir atrás, até porque não ter qualquer decisão política é por si uma posição política. Procura na Internet alguns programas eleitorais, vê se te identificas com alguns deles, ouve podcasts que falem sobre isso, há tanta informação boa e fácil de compreender por aí. Depois no próximo dia 26 de Setembro pega nos teus amigos e vão para as urnas, façam um jogo, no fim até podem gritar bingo, mas cuidado com o quadrado que escolhes, há uns que te fazem perder o jogo, aliás, há alguns em que perdemos todos.  

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