“Heróides – Clube do Livro Feminista” é o primeiro projecto da “Cassandra”, estrutura artística de Sara Barros Leitão

por Comunidade Cultura e Arte,    28 Dezembro, 2020
“Heróides – Clube do Livro Feminista” é o primeiro projecto da “Cassandra”, estrutura artística de Sara Barros Leitão
Sara Barros Leitão / Fotografia de Filipe Ferreira
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Heróides – Clube do Livro Feminista é o primeiro projecto a desenvolver pela “Cassandra”, a estrutura artística de Sara Barros Leitão. As inscrições abrem a 1 de janeiro de 2021 e a participação é gratuita e online. 

Depois de ter ganho a primeira edição do Prémio Revelação Ageas Teatro Nacional D. Maria II, a criadora decidiu investir o valor total do prémio num projecto que pudesse multiplicar o pensamento, a leitura, a discussão, e o empoderamento de todas, todos e todxs. O nome do projecto é roubado ao livro homónimo de Ovídio, em que o autor escreve várias epístolas assinadas pelas heroínas da mitologia grega e romana, endereçadas aos seus amantes. O livro é muitas vezes descrito como um livro de autoria masculina e voz feminina, É a partir do nome Heróides que se parte para discutir o lugar de fala e os feminismos, para contrariar a narrativa única e androcêntrica.

Durante 2021, a ideia é criar uma comunidade de leitura que aceita o desafio de ler um livro por mês, e, no último sábado de cada mês, reunir via Zoom, para o discutir.  
Cada sessão tem a duração estimada de duas horas e terá sempre interpretação em Língua Gestual Portuguesa. A participação nas sessões é gratuita e necessita de inscrição. As inscrições serão abertas mês a mês, no site www.cassandra.pt/heroides.

Para quem não se conseguir inscrever, será possível acompanhar as Heróides – Clube do Livro Feminista, através do site. Todos os meses será divulgado o livro respectivo, e abrir-se-á um fórum escrito para troca de ideias e partilhas de pensamento.

Os livros foram escolhidos por doze convidadas e convidados, que estarão a orientar a sua respectiva sessão. A sessão de janeiro, que terá lugar no dia 30, será orientada por Shahd Wadi, e a leitura proposta é o livro da sua autoria “Corpos na trouxa – Histórias artísticas-de-vida de mulheres palestinianas no exílio”.

Nos meses seguintes serão lidos livros propostos por Sara CarinhasAna Catarina Correia, Mónica Assunção, Verónica Lopes, Joana Cottim, Angella Graça, Alcina Jacinto Faneca, Sofia Frade, NunaMarco Mendonça e Paula Cardoso, de entre os quais se destacam “Todos devemos ser feministas”, Chimamanda Ngozi Adichie, “Medeia”, Eurípides, “Beloved”, Toni Morrison, “As ondas”, Virginia Woolf, “Carta à minha filha”, Maya Angelou, ou “Trans Iberic Love” e Raquel Freire.

Cassandra é uma estrutura de criação artística fundada em 2020, com direcção artística de Sara Barros Leitão. É também o nome da mulher que Apolo amaldiçoou por ter recusado a sua sedução, tornando-a capaz de prever o futuro sem que ninguém acredite nela. Resgatada do mito clássico, depois de ver Tróia incendiada, e ver cumprido tudo o que predestinou, chega-nos agora em forma de encorajamento à criação, mesmo sabendo da dificuldade que terá em ser ouvida. Uma característica não muito diferente da de todas as mulheres.

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