10 melhores livros em 2018 para a Comunidade Cultura e Arte

por Comunidade Cultura e Arte,    28 Dezembro, 2018
10 melhores livros em 2018 para a Comunidade Cultura e Arte
Marta Saraiva / CCA
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Mais um ano decorrido, mais uma compilação do melhor que lemos durante o decorrer do mesmo. Em 2018 houve de tudo: edições de autores estrangeiros estranhamente ausentes do panorama editorial português, reedições de grandes nomes da literatura nacional (como a de Agustina Bessa-Luís, que fomos acompanhando ao longo do ano no nosso Ano Agustina), confirmações de novos talentos ao lado de novos livros de velhos talentos, assim como novos passos para explorar novas e velhas discussões.

Felizmente, aqui na Comunidade Cultura e Arte fizemos por acompanhar ao máximo o que de novo se foi publicando e, portanto, deixamo-vos agora com os 10 melhores livros de entre aqueles que analisámos ao longo do ano de 2018.

10. A Devastação do Silêncio – João Reis

“João Reis traz-nos, nas suas frases longas e intrincadas, precisamente aquilo que é necessário e não mais, não temos adornos supérfluos para uma guerra que atinge também os nossos ouvidos. Acima de tudo, nota-se o seu controlo exímio sobre a frase, a plena noção dos tempos que tem de ocupar, e, acima de tudo, o confirmar de uma voz que finalmente revela todo o seu potencial.” (lê a nossa crítica aqui)

A Devastação do Silêncio – João Reis

9. Solaris – Stanislaw Lem

“É neste balançar entre a análise da condição humana no plano individual e no plano universal que Stanisław Lem nos dá argumentos mais que suficientes para o considerarmos um dos maiores nomes da ficção científica. Se muitas vezes os preconceitos em relação ao género o confinam a uma espécie de brincadeira de crianças, escritores como Lem (e vários outros, como Philip K. Dick ou Margaret Atwood) são o exemplo perfeito da capacidade do género em pôr em debate filosófico as grandes questões da humanidade.” (lê a nossa crítica aqui)

Solaris – Stanislaw Lem

8. Se Esta Rua Falasse – James Baldwin

“E da mesma maneira que [a] ausência de melhorias [nas condições de vida dos negros na América] motiva a escrita deste livro, é essa mesma resistência à mudança que lhe dá novo relevo mediático hoje, porque, mesmo passado tantas décadas desde este livro, a situação não se alterou assim tanto; afinal de contas, a população negra continua, por exemplo, a estar sobejamente sobre-representada nas prisões norte-americanas, e continuam a abundar os casos de negros desarmados alvejados pela polícia ou de assunção de culpa somente com base na cor de pele. Em Se Esta Rua Falasse, Baldwin narra-nos precisamente uma dessas histórias que, infelizmente, se revelam intemporais.” (lê a nossa crítica aqui)

Se Esta Rua Falasse – James Baldwin

7. Reservatório 13 – Jon McGregor

“Mais do que sobre a história e a vida individual de cada um dos habitantes da vila, Reservatório 13 é um romance de ênfase radial que é, acima de tudo, sobre a interacção entre todas estas pessoas. Todos os detalhes, por mais insignificantes que sejam em solitário, são pequenas partes de um quadro maior, de um verdadeiro ecossistema. E se para ele olharmos da mesma forma como olhamos a natureza, a vida parecer-nos-á mais inocente e interdependente, mais sistemática e menos individual. Mais simples, talvez. Mais natural, certamente.” (lê a nossa crítica aqui)

Reservatório 13 – Jon McGregor

6. Berta Isla – Javier Marías

Berta Isla não é sobre a espionagem, mas sobre a relação entre Berta e Tomás e sobre as consequências desse caminho, aquelas que foram escolhidas e aquelas às quais o destino obrigou. Tomás é um homem amargurado com o caminho em que desaguou a situação de se ver suspeito de um homicídio e, ainda que cresça para se tornar um defensor daquilo que faz, é alguém que ingressa numa carreira que em circunstâncias normais teria preterido.

Parece ser sobretudo esse o ponto de Marías: não controlamos inteiramente o nosso destino e parte da maturidade que devemos adquirir com a vida adulta é, precisamente, aceitá-lo. Não o fazer é permanecer imaturo.” (lê a nossa crítica aqui)

Berta Isla – Javier Marías

5. O Tango de Satanás – László Krasznahorkai

“Nesta sua primeira obra, de 1985, o foco é numa cooperativa em declínio, algures na Hungria, onde a chegada de um homem há muito dado como morto ganha contornos proféticos. Como em livros subsequentes, está presente a obsessão com a harmonia (e, consequentemente, com a desordem), quer em termos temáticos, estilísticos ou estruturais, e O Tango de Satanás está, portanto, estruturado como um tango, com seis passos, correspondentes a seis capítulos, para a frente, e seis passos para trás, cada capítulo um longo parágrafo sem quebras e pejado de frases longas.” (lê a nossa crítica aqui)

O Tango de Satanás – László Krasznahorkai

4. Sou um Crime – Trevor Noah

Das histórias de uma infância complicada e na solidão, rodeado apenas da família e de livros, a comédia de Trevor, presente neste seu livro, revela a sensibilidade de alguém que não faz piadas com a sua experiência de vida, mas antes a relata sob um ponto de vista que procura o lado cómico. Não são muitos os que têm a capacidade ou ousadia de brincar de forma inteligente desconstruindo acontecimentos negativos dando-lhe uma outra perspectiva. O humor torna-se assim um caminho para que possamos aprender a conviver com temas outrora “proibidos”. Sou Um Crime é a história de quem desde cedo desafiou o status quo, a sociedade que o rodeia e ideias pré-estabelecidas (preconceitos) através da sua inteligência e capacidade. (lê a nossa crítica aqui)

Sou um Crime – Trevor Noah

3. 24/7 – O Capitalismo Tardio e os Fins do Sono – Jonathan Crary

“Numa sociedade 24/7 onde tudo é cada vez mais financeirizado, onde “a docilidade e a separação não são derivados indirectos, mas (…) objectivos primeiros”, onde é cada vez mais evidente, como vaticinou Marx, “a incompatibilidade intrínseca do capitalismo com formas sociais estáveis ou duradouras”, dormir, sonhar ou devanear são tudo actividades mal-vistas, marginalizadas pela sua ausência de valor intrínseco. Do sono, nada se pode extrair.” (lê a nossa crítica aqui)

24/7 – O Capitalismo Tardio e os Fins do Sono – Jonathan Crary

2. Obras Completas (Volumes I a III) – Maria Judite de Carvalho

“As mulheres dos contos de Maria Judite de Carvalho – e os homens, que ocasionalmente desempenham também o papel principal – são claramente pessoas sós, mesmo se casadas e acompanhadas. É omnipresente essa melancolia que rodeia a sua existência, uma espécie de imobilidade inescapável que prende os movimentos e as decisões de todos e cada um. Os contos são, portanto, largamente passados em circunstâncias concretas, em espaços fechados mesmo que em quase todos a mente vagueie pelos mais diversos caminhos, da juventude e infância aos falhanços das relações esperançosas do casamento, até mesmo aos tempos de vida em Paris, onde a própria autora chegou a viver durante uns anos.” (lê a nossa crítica aqui)

Obras Completas (Volumes I a III) – Maria Judite de Carvalho

1. Luanda, Lisboa, Paraíso – Djaimilia Pereira de Almeida

“O parto que marcara o calcanhar de Aquiles fora também o mesmo que deixara Glória, sua mãe, imobilizada na cama onde passa os anos seguintes. É esse estado de doença que a impede de viajar com o marido e o filho para Lisboa, deixando-se ficar em Luanda ao cuidado da filha, Justina. Antes de partirem para Lisboa, era Cartola quem cuidava da esposa, com uma devoção enternecedora, mas era “para ele um calvário tomar conta da mulher, prova que tinha aprendido a superar desejando tanto a morte dela como desejava as melhoras.” Vidas abortadas pelos defeitos de cada um. Mas “não eram vítimas uns dos outros, nem ninguém tinha torcido os seus sonhos de propósito.”

De certa maneira, Cartola viera para Lisboa para recomeçar, imaginando sempre que, em Portugal, seria reconhecido como português. Mas cedo se apercebe que aquele que era em Angola ficara para trás. Parteiro em Luanda, em Lisboa vira homem das obras e vai gradualmente perdendo a mão do seu destino. As condições em que vive com Aquiles são precárias, no mínimo, e o choque de realidades deixa Cartola letárgico. Não era o mesmo que deixara Luanda e, quando comunicava com Glória por telefone ou lhe enviava cartas, aquele que falava não era mais que uma personagem mantida na memória.” (lê a nossa crítica aqui)

Luanda, Lisboa, Paraíso – Djaimilia Pereira de Almeida

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