Hoje à noite n’O Sótão. O profundo jazz de Tenderlonious

por Francisco Espregueira,    4 Novembro, 2021
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Capa do disco
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Ed Cawthorne já provou, por diversas vezes, ser um dos artistas mais versáteis e desinibidos da música contemporânea. O seu trabalho, essencial para os apreciadores do novo jazz mas um tanto ou pouco desconhecido do público em geral, combina diferentes géneros e demonstra uma facilidade na abordagem a diferentes instrumentos (analógicos e digitais) absolutamente virtuosa. No entanto, o estilo de Tenderlonious (o alter-ego de Cawthorne) está sempre presente. Seja com a sua banda, os Ruby Rushton, que se situam no imenso mundo do jazz de fusão, seja participando em projectos de música clássica hindustani com o quarteto paquistanês Jaubi ou em ondas de deep house, electro funk e música ambiente, características das suas produções a solo. A sua discografia acumula já um catálogo assinalável de lançamentos e colaborações que revelam um músico continuamente dedicado à descoberta e à exploração do pouco convencional.

O seu novo álbum, Still Flute, é uma amálgama do trabalho de Tenderlonious desde 2013. Ao longo de dez faixas, é capaz de criar um cenário muito próprio, misturando momentos de profunda presença com rasgos espirituais. Momentos para apreciar bem tarde na noite e rituais meditativos. Com a flauta em punho, guia-nos por uma viagem que vai do deep house — presente em “Song for My Mother” e “Still Flute” — ao espiritualismo de “Journey to Thra” ou “Seti Khola”. Mais uma vez, a ligação do seu instrumento favorito com uma diversidade de escolhas sonoras representadas através de sintetizadores é muito bem conseguida, permitindo a Tenderlonious apresentar-nos uma palete de sons que lhe pertencem por direito — nas profundezas do jazz. Disponível em vinil via 22a, este é um dos discos do ano no género.

E ainda…

Da flauta passamos para a tuba e introduzimos o novo álbum de Theon Cross, Intra-I. O talentoso compositor e instrumentista apresenta um álbum inovador, baseado em sons produzidos pela sua respiração. Este trabalho único é uma celebração edificante da música negra que, graças à abordagem pioneira de Cross, ajuda a redefinir as possibilidades sonoras da tuba. Também disponível em vinil.

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